02 agosto 2010

25 julho 2010

A (i)moralidade cristã

Metade do mundo vive sob uma falsa moralidade sem se aperceber desse facto. Somos doutrinados desde a mais tenra idade e dificilmente escapamos às garras de uma idiologia tirana, que não tem a mínima ligação com a realidade. E assim continuamos a perpetuar a pérfida moralidade a que chamamos tradição judaico-cristã. Senão vejamos: jamais permitiriamos que um tribunal condenasse um inocente para salvar um culpado. Se, por amor, uma mãe se dispusesse a aceitar o castigo pelo crime do filho, jamais o permitiriamos. É conhecida a máxima da nossa lei que diz ser melhor perdoar cem criminosos do que castigar um inocente. E apesar de tudo isto louvamos Cristo, o redentor, por ter morrido inocente para lavar os pecados da humanidade. Aceitamos o castigo de um indivíduo inocente como forma de perdoar os pecados do Homem. Na antiguidade era comum um indivíduo ou tribo expiar os seus pecados projectando-os sobre um bode e enviando o animal para morrer no deserto. Acreditava-se que ao morrer carregado com os pecados do Homem, o bode nos libertava desse fardo. Cristo é a versão cristã do bode expiatório e aceitamo-lo de bom grado. Há quem argumente que Cristo foi um caso especial, enviado por deus para repor o acesso do Homem ao reino dos céus. Adão e Eva escolheram o caminho da perdição renegando toda a humanidade ao exílio eterno e deus, na sua infinita bondade, teve que intervir para reparar o erro do Homem. Então mas deus, infinitamente sábio, teve que esperar uns milhares de anos para intrevir? Porquê? E mesmo assim voltamos ao dilema do inocente castigado. Porque nasce uma criança já culpada dos pecados do seu tetra tetra tetra avô mitológico? Se o meu pai fôr culpado de um crime deverei eu também ser castigado? Além de tirano, o deus cristão é um sádico com um senso de humor diabólico.

29 março 2010

Tinha fome. Abri o frigorífico. No frigorífico havia: gelado com pedaços de bolo; bolo de iogurte; iogurte de bolacha; bolachas de manteiga; manteiga de amendoim; amendoins com mel. Fiquei confuso. Fui à mercearia comprar morangos.

13 novembro 2009

Casamento homossexual

Mais uma vez se debate o direito ao casamento por pessoas do mesmo sexo. Eis a minha opinião acerca da legislação actualmente em vigor:

29 julho 2009

20 julho 2009

Já lá vão 10 anos

Lembra-se desta música? Foi em 1999, no século passado. Exactamente há uma década. Eu lembro-me. Acho que estou a ficar velho.

16 julho 2009

Nem memória de elefante

Já reparou como os empregados dos restaurantes chineses nunca escrevem os pedidos dos clientes? É um facto que no início me intrigou. Veja lá se não acontece sempre assim: os clientes entram no restaurante, o empregado aproxima-se e escolhe a mesa mais merdosa para os clientes se sentarem. Mesmo que a porra do restaurante esteja totalmente vazio não é dada a opção de escolha da mesa aos clientes. O empregado vai-se embora por uns momentos enquanto as pessoas escolhem o que vão comer e depois volta e fica muito atento enquanto cada um, apontando com o dedo no menú com 10 páginas e imensos erros ortográficos, escolhe o que vai comer . Depois dos pedidos feitos, e agora é que vem a parte interessante, o empregado recapitula o pedido de memória... "clepe, aloz xau xau, polco agli doce, etc, etc..." e mesmo que os clientes peçam trinta coisas diferentes, o empregado chinês nunca se engana. E então ocorreu-me, num país em que cada indivíduo vive com pelo menos quinze membros da família alargada tem mesmo que ter boa memória. É que desde tenra idade tem que aprender o nome daquela gente toda que vive lá em casa. É a mãe, o pai, os irmãos e irmãs, os tios e tias os primos e os avós. E na porta ao lado moram mais quinze vizinhos. Mas se pensa que isso não é um excelente exercício de memória então tente lá memorizar quinze nomes do tipo Ping Pong, Xau Li, Feng Shui e Liu Kang. Ah pois é!

Homo columbia

Ocorreu-me que existe nas nossas cidades, nomeadamente em Lisboa, uma espécie simbiótica em perigo de extinção. Ao observador casual podem parecer dois organismos totalmente independentes mas aí é que está o erro. Uma depende da outra de tal forma que, de acordo com as leis darwinianas da selecção natural, se ocorrer alguma catástrofe que elimine uma, a outra certamente se extingue e por esse motivo estão irremediavelmente unidas numa espécie que, pelo direito que confere ao descobridor, chamei Homo columbia. Esse organismo simbiótico é formado, por um lado, pelos pombos que cagam indiscriminadamente cabeças humanas e monumentos públicos e, por outro lado, pelos velhos e velhas das nossas cidades que os alimentam diariamente apesar das proibições. Mas se não está a ver a ligação, então passo a explicar. Sem os velhos e velhas que teimam em alimentar essas ratazanas voadoras, as criaturas jamais se reproduziriam ao ritmo das pragas mais nefastas. Por outro lado, sem a bicheza penugenta, os velhos e velhas perderiam o obectivo que os faz levantar da cama todos os dias e ficavam em casa a definhar.

23 junho 2009

Água benta

Hoje ofereceram-me um frasco com água benta comprado em Fátima. Não sou uma pessoa especialmente religiosa mas fiquei comovido pela lembrança. É agradável saber que se preocupam com o meu bem estar espiritual, ainda que tenha ficado um pouco desconfiado que secretamente alguém considere que eu preciso de lavar os meus pecados.
Depois dos agradecimentos e dos beijinhos da praxe, tal oferta fez-me pensar no motor económico por detrás da religião. Não me sai da cabeça a ideia de uma linha de montagem com padres a abençoarem a água e uma fila de acólitos a encaixotarem a mercadoria, com direito a amostragem para controlo de qualidade e tudo.

03 agosto 2008

Para pensar

Imagine um lago. Imagine que o dono do lago lá coloca, no dia 1 de Janeiro, um nenúfar. Imagine que o nenúfar cresce todos os dias para o dobro do tamanho do dia anterior. Imagine que no dia 31 de Dezembro o nenúfar ocupa toda a superfície do lago. Consegue calcular em que dia é que o nenúfar ocupa metade da área do lago?

Este problema é uma analogia em que o lago representa o planeta Terra e o nenúfar os problemas de poluição e degradação da natureza causados pelo Homem. Do mesmo modo que o nenúfar, por impedir a passagem da luz solar para o lago, é um potencial perigo para os outros seres vivos deste ecossistema, também os problemas ambientais que o nosso planeta enfrenta nos põem a todos em perigo. O Homem, embora numa posição privilegiada para fazer frente aos problemas ambientais, opta frequentemente por os ignorar até que, tal como o nenúfar quando já ocupa metade da superfície do lago, os problemas sejam muito mais graves, e de difícil resolução do que numa fase inicial.

Voltando à questão hipotética do nenúfar, o homem tem um ano para se aperceber que o nenúfar constitui um problema antes de toda a superfície ficar coberta, impedindo a normal filtração da luz através da água. Ao atingir metade da área do lago, o homem irá ficar alarmado. Será que nesta altura o homem ainda vai a tempo de salvar o lago?

17 julho 2008

O fim do mundo

Já se deu conta que podemos estar à beira de um evento cataclísmico do tipo "fim-do-mundo-tal-como-o-conhecemos-e-possível-extinção-da-espécie-humana"? Ainda não? Pois é, as poucas pessoas com acesso a essa informação não o publicitam para que o resto de nós continue a viver as suas vidinhas mantendo o status quo dos 10% da população que controlam 90% da riqueza mundial.
Estou a falar de um problema que nos afecta a todos directamente enquanto sociedade e enquanto indivíduos. Um problema que afecta o nosso poder de compra, que afecta os próprios bens à nossa disposição, desde o copo de leite que bebemos de manhã até ao perfume que borrifamos antes de sair de casa passando pelo carro que conduzimos para ir para o trabalho, a roupa que vestimos, os livros escolares que compramos para os nossos filhos e todo um sem fim de produtos que damos por garantidos sem pensar na sua proveniência.
Imagine uma situação hipotética: Uma certa manhã acorda para ir para o trabalho mas não tem combustível no carro. Não faz mal, pensa, vai de transporte público. Ao chegar à paragem do autocarro percebe que este também não vai passar e começa a preocupar-se. Ouve então na rádio que há uma crise com os recursos energéticos causada por uma diminuição na produção de petróleo. Pensa mais uma vez como fará para chegar a horas ao trabalho e decide ir de metro uma vez que este tipo de transporte não utiliza combustíveis fósseis mas sim electricidade. Ao chegar ao metro depara-se com o mesmo problema, as carruagens estão paradas porque também a produção de electricidade requer combustíveis fósseis. Com os transportes públicos fora de serviço decide voltar para casa. Em situação idêntica encontram-se muitas outras pessoas que não conseguiram chegar ao trabalho causando um prejuízo de milhões para a economia global. No caminho (a pé) para casa continua a ouvir a rádio e sintoniza uma declaração do Sr. Primeiro Ministro que nos assegura que a produção de petróleo apenas sofreu uma baixa de 2% devido ao custo de exploração deste recurso mas que o petróleo ainda vai durar por muitas décadas. No entanto, o governo já delineou medidas para minimizar a dependência do nosso país dos combustíveis fósseis apostando nas energias renováveis. O Sr. Primeiro Ministro continua a explicar como vai ser implementada a mudança de política passando a usar-se biocombustível para os transportes, paineis solares em todas as habitações, energia eólica, e outras medidas que irão balançar o aumento do preço dos combustíveis fósseis devido à sua escassez. É neste ponto que vou interromper esta situação hipotética para fazer uma comparação com a realidade. Não aumentou significativamente o preço dos combustíveis fósseis nos últimos anos? Não tem havido investimento nas energias renováveis, não só no nosso país mas também em muitos países desenvolvidos? Que estamos a viver uma crise energética disso ninguém duvida, mas até aqui tem sido apresentada como uma situação passageira. Será que afinal a escassez de petróleo é mesmo real e já está a acontecer actualmente? Muitos peritos acreditam que sim e é inacreditável que a sociadede global, na era da informação, ainda não tenha sido alertada.
Sabe-se que existem actualmente jazigas de petróleo que durarão por várias décadas mas e algumas ainda poderão estar por descobrir. Contudo, como é lógico de concluir, os recursos que estão hoje em dia a serem extraídos são os de acesso mais díficil, encarecendo todo o processo de extracção e também o produto final. Não é difícil de perceber que os depósitos de acesso mais fácil foram os primeiros a serem esgotados e que os depósitos ainda por descobrir são logicamente de difícil acesso, caso contrário, numa era de satélites e sondas especializadas na detecção destes recursos, teriam já sido localizados. Podemos então esperar que o preço dos combustíveis continue a subir em virtude do custo da sua extracção.
Sabe-se também que o petroléo é um recurso finito e portanto sujeito a um fenómeno conhecido como o "pico do petróleo" que significa que este recurso não irá acabar repentinamente mas sim diminuir gradualmente por várias décadas até que a sua produção seja nula. Baseando-nos nas leis de mercado, podemos esperar que ao diminuir a oferta suba gradualmente o preço dos combustíveis. Alguns peritos afirmam que já ultrapassamos o pico de produção de petróleo pelo que já nos encontramos na curva descendente o que explicaria o constante aumento dos preços que se tem verificado nos últimos anos.
Inversamente à quebra na produção de recursos fósseis, vivemos numa sociedade que, para se manter estável, requer sucessivamente mais combustíveis do que a quantidade utilizada em igual periodo anterior. Isto significa que num determinado ano o consumo de recursos fósseis deverá ser superior ao ano anterior para que não haja recessão. Ainda que fossemos capazes de estabilizar o consumo não seriamos capazes de manter uma economia estável.
Vivemos pois numa sociedade que para se manter estável requer um consumo crecente de combustíveis mas está perante uma na produção decrescente dos mesmos. Então, como afirmava o Sr. Primeiro Ministro na situação hipotética anterior, há que dirigir os nossos esforços para as alternativas mais ecológicas e renováveis de produção de energia. Mas até aqui se apresentam sérias dificuldades. Imagine que pretendíamos substituir a gasolina por biodíesel. Este combustível ecológico, normalmente de origem vegetal, requer que sejam cultivadas as plantas de onde será depois extraído o óleo usado na produção de combustível. O problema reside no facto de que para substituir os milhões de litros de combustivel convencional utilizados diariamente, teriamos que abandonar toda a agricultura e passar a cultivar apenas as plantas produtoras dos óleos percursores do biodiesel. Ora isso não pode ser pela razão óbvia de que morrerríamos todos à fome para podermos andar de carro.
Ainda assim resta-nos a alternativa dos paineis solares e parques eólicos. Mas como já devem estar a suspeitar, também estas alternativas apresentam um grave problema. Para produzir um painel solar é necessário gastar petróleo. Se, como parece ser real, estamos agora a começar a sentir os efeitos da escassez de combustíveis e a população ainda nem se deu conta disso, então é de esperar que os governos só iniciem realmente a essencial reconversão energética quando forem politicamente forçados a isso, o que poderá ser tarde de mais. É que substituir milhões de motores de carros, fábricas, e lares bem como todas as infraestrututras associadas, não seria fácil se fosse hoje, mas será totalmente impossível quando os recursos energéticos existentes forem uma fracção do que temos actualmente.
Mas afinal o que é que vai mudar? E a resposta é: toda a nossa sociedade. Sem petróleo, numa agricultura cada vez mais industrializada para suportar as necessidades crescentes, o tractor que produz os nossos alimentos não funciona. Sem petróleo, produtos e bens não podem ser distribuídos. Sem petróleo não podemos deslocar-nos diariamente para ir trabalhar. Enfim, todos os ramos da actividade humana serão influenciados, medicina, defesa nacional, educação e tudo o mais que consiga imaginar é, actualmente, dependente dos combustíveis fósseis.
Dá que pensar? Quer saber mais? Visite o "link": http://www.lifeaftertheoilcrash.net/

14 fevereiro 2008

Quem disse que todas as histórias têm que ter início, meio e fim?

Ela vestia um fato negro de aspecto antiquado composto por blazer e saia travada. Calçava sapatos negros rasos gastos pelo uso e apertava debaixo do braço uma desengonçada e grande bolsa negra. No peito contrastava uma flôr de feltro rosa quase infantil e os óculos vermelhos de armações grossas davam-lhe um ar de bibliotecária. Olhou para mim com grandes olhos ampliados pelas lentes espessas. A porta abriu, era a sua paragem. Saiu.

31 agosto 2007

Milho verde, milho verde

Já bastante se falou no acto ecoterrorista que ocorreu no Algarve no passado dia 17, na Herdade da Lameira, contra um campo de cultivo de milho transgénico. Falaram os dirigentes partidários, falaram as altas patentes da GNR, falaram os meios de comunicação social e falaram as organizações ambientalistas. Discutiram-se responsabilidades e a falta delas, discutiram-se os direitos do consumidor, discutiram-se Lei e Constituição, discutiu-se o sexo dos anjos e lavou-se muita roupa suja.
Como já é hábito neste nosso país à beira mar plantado que apetece chamar de república das bananas (ou talvez das maçarocas), fez-se mais um episódio de novela em altura que política e futebol, estéreis de assunto, não preenchiam as quotas mínimas no tempo de antena nacional.
Políticas à parte, quero falar no verdadeiro motivo que esteve na génese de tanta discussão. No verdadeiro assunto que levou uma centena de homens a agirem de cara tapada e nas barbas da GNR, destruindo o trabalho árduo de um pequeno produtor agrícola. Quero falar nos organismos geneticamente modificados (OGM) ou, neste caso, organimos transgénicos. E quero falar neste assunto porque me parece que apesar de tanta discussão ainda não se explicou convenientemente o que são os transgénicos.
A mim, parecer-me-ia natural que quando alguém se insurgisse contra algo com os argumentos de que esse algo é prejudicial para o Homem e para o ambiente, que a discussão se centrasse em torno desse prejuízo para o Homem e para o ambiente. Ao invés, fala-se de política e da acção da GNR.
Os OGM são organismos alterados em laboratório através da manipulação dos seus genes. Os transgénicos incluem-se nesta classificação com a particularidade de lhes ter sido introduzido um ou mais genes de uma espécie diferente da sua. Pretende-se com esta manipulação conferir ao organismo receptor características consideradas vantajosas, possuídas pelo dador dos genes. No caso do milho é frequente introduzir genes que conferem à planta resistências contra insectos que atacam as culturas ou herbicidas utilizados para controlar o desenvolvimento de ervas daninhas. O milho fica assim protegido das pragas e torna-se mais rentável para o produtor.
Os OGM são actualmente um dos campos de batalha preferidos pelas associações ambientalistas que alegam perigos potencialmente catastróficos para a saúde pública e para o ambiente. A verdade é bem menos assustadora e entristece-me ver as associações ambientalistas a representarem o lobo na pele do cordeiro. Estas associações deveriam fomentar a educação sobre os assuntos do ambiente e não instigar o medo entre as pessoas pessoas menos esclarecidas com desinformação e acções de terrorismo.
Quando olhada com um olhar imparcial, a realidade acerca dos transgénicos é bem mais simples e tranquilizadora. Um gene não passa de uma sequência de material genético que encerra em si as instruções para produzir, nada mais nada menos, que uma proteína. Assim, isolar e transferir um gene de um organismo para outro não acarreta nenhuma outra consequência que não seja a produção, por parte do organismo receptor, de proteínas que anteriormente não produzia. Antes de chegar ao mercado, os efeitos relativos ao consumo desse OGM na saúde pública são amplamente estudados. De facto, existem actualmente inúmeros OGM que são produzidos e consumidos sem que algum mal tenha daí originado.
O perigo para o ambiente é algo que também é proclamado pelos ambientalistas devendo sem dúvida ser (e efectivamente é) levado em consideração pelos investigadores e entidades reguladoras. Ao alterar o património genético das plantas e cultivando apenas aquelas que mais lhe interessam, o Homem corre o risco de, um dia, ficar dependente de um restrito número de variedades vegetais excessivamente adaptadas a ambientes específicos e incapazes de sobreviver perante uma inesperada mudança do ambiente. Curiosamente, o homem tem vindo a tomar esta atitude de selecção desde o período Neolítico quando se sedentarizou e desenvolveu a agricultura. Não fosse essa intensa selecção dos organismos que lhe são mais úteis em detrimento dos outros, ainda hoje cultivariamos as espécies selvagens pouco produtivas em vez das fecundas e fortes variedades domésticas. Além disso, como precaução para o futuro, existem bancos de sementes e germoplasma onde se preservam as variedades selvagens do perigo de extinção.
Por tudo isto sinto-me desapontado. Sinto-me desapontado com a falta de informação numa sociedade onde só não lhe tem acesso quem assim escolhe permanecer desinformado. Sinto-me desapontado com as entidade responsáveis que activamente escolhem desinformar. Sinto-me desapontado por os nossos governantes, perante uma oportunidade de fomentar a informação, escolherem fazer política.

25 maio 2007

Massagem

22 maio 2007

O embuste dos L. Casei imunitass

Somos uns palermas. Somos continuamente lobotomizados por torrentes de informação e publicidade enganosa e papamos tudo como uns totós. A mim, custa-me imenso engolir certas patranhas e factos "cientificamente provados". Nomeadamente a treta dos L. Casei imunitass, embora os iogurtes até sejam saborosos e não me custem nada a engolir. Note-se que o nome do Lactobacillus que enriquece os iogurtes Actimel está registado com protecção dos direitos de autor, já que foi uma criação da marca Danone. De acordo com a Danone, os L.Casei imunitass protegem-nos de uma paneceia de males e, a julgar pelos anúncios televisivos, tomando um Actimel por dia até podemos andar à chuva em dias de Inverno que não nos acontece nada.
Preocupa-me que qualquer empresa com algum dinheiro para gastar, possa comprar um parecer científico a um laboratório e depois lhe seja permitido manobar os factos e apresentar só os resultados favoráveis ao argumento que pretende demonstrar. Preocupa-me que as "provas científicas" que atestam os benefícios da ingestão diária dos L. Casei imunitass provenham do próprio Centro de Investigação da Danone e não de uma fonte independente. Preocupa-me que, actualmente, fazer ciência seja muito dispendioso e para isso os laboratórios recorram às empresas que por seu turno exigem resultados compatíveis com as suas necessidades. E preocupa-me que ninguém se questione a este respeito!
E quanto aos factos, ei-los:
  • 90% a 95% das bactérias benéficas contidas nos iogurtes morrem pela acção dos ácidos estomacais, não chegando vivas ao intestino onde exerceriam o seu efeito benéfico. Este facto é assumido pela Danone mas nunca é publicitado.
  • Os microorganismos que naturalmente ocupam o intestino contribuem para um fenómeno denominado "efeito de barreira" ao ocuparem toda a área disponível do intestino. Deste modo, os microorganismos introduzidos (patogénicos ou supostamente benéficos como os L. Casei imunitass) que conseguem chegar ao intestino, têm dificuldade em alojar-se e morrem.
  • Existem várias dezenas de estirpes de bactérias e alguns fungos intestinais. Os diversos microorganismos que constituem a flora intestinal, partilham um equilíbrio próprio em cada indivíduo. Introduzir novos microorganismos, fazendo variar as concentrações habituais de cada estirpe pode não ser benéfico para esse equilíbrio.

E já agora "cliquem" aqui

Vá toca a "clicar" (adoro este neologismo, que por sinal também é uma onomatopeia). Estão à espera de quê? "Cliquem" no título.

Experimentem


http://www.ogame.com.pt/

25 fevereiro 2007

Monhés, pretos e brasileiros

O título não é politicamente correcto? Que se foda!
Já alguém se interrogou porque é que SÓ indianos é que vendem rosas na rua? Não que eu esteja interessado na profissão mas questiono se haverá algum monhé, magnata das rosas, com o monopólio nacional de revenda da dita flôr.
Então e os pretos. Mas que merda é essa de se auto-intitularem "blacks"? Haverá alguma necessidade de eufemizar a palavra preto? Não! Pois claro que não! Preto é preto e branco é branco. Haverá certamente os bons e os maus nos dois extremos do espectro mas a côr não tem absolutamente nada a ver com a questão. Por esta ordem de ideias os caucasianos como eu (que por sinal até sou daqueles que, se não se cuidam, transformam-se em lagosta numas poucas horas de ócio na praia) são os pálidos descorados. Só porque fica mal dizer branco... Por isso grito com quanto fôlego me permitirem os pulmões: PRETO! E não "black" que nem sequer tem a honra de pertencer ao léxico luso.
Outro mistério insondável é a necessidade absurda que todo o brasileiro com um tetra-tetra-tetravô europeu (de preferência italiano ou alemão) tem em manter um passaporte da nacionalidade do defunto. Depois aprende umas palavras na língua estrangeira e vem para a Europa com a pompa e circunstância de um aristocrata (se possível para qualquer país excepto Portugal) feito quase sempre mal sucedido porque na realidade o brasileiro apredeu menos de meia dúzia de frases na língua estrangeira. Invariavelmente é apanhado pelo serviço de estrangeiros e recambiado de volta para o Brasil. Ou pior ainda, para Portugal! Não quero ser mal interpretado. Não tenho nada contra o Brasil ou os brasileiros (a não ser aqueles emproados com a mania que são lordes mas acabam a trabalhar no McDonalds). E só para rematar, o Brasil é um país lindo e maravilhoso. Verdadeiramente um país do qual todos os seus cidadãos podem sentir-se orgulhosos.

19 dezembro 2006

Saudade

Saudade

O tempo passa inexorável,
a saudade aperta implacável
e torna-se sufoco apertado.
Mas nem o aperto sufocado
transforma o desejo que, inalterado,
no limite é libertado
e rebela-se o ser perturbado
contra a pérfida saudade.
Revela-se o ser sonhador,
abalado pela dôr,
transtornado e sem pudor,
correndo sem cuidado,
procurando a liberdade
que ao ser foi negado
pela infame saudade.
Eis que emerge dormente
o ser que a pérfida tornou carente
mas o fado libertou
e das garras arrancou
o sonhador ser que sente
que a saudade o matou.

06 dezembro 2006

Maiorias e minorias

Certa vez, numa troca de mensagens com um tal "Lord of Erewhon", alcunha de um internauta certamente inspirada no romance do escritor britânico Samuel Butler (1835 - 1902) intitulado Erewhon - Over the Range (nota mental: ler o livro), fui acusado de ser um presunçoso tirânico pertencente à maioria cultural dominante. Nesta altura coloquei em palavra escrita algumas considerações acerca da natureza das maiorias e das minorias. Embora nunca antes as tivesse colocado no papel, são convições pessoais antigas (com certeza não serão originais ou exclusivas mas são minhas). Enfim... aqui fica um pequeno extracto da conversa:
"...a maioria é um conceito enganador. A maioria não existe. Existe sim um vasto conjunto de minorias. Pensa bem, todos nós nos enquadramos numa qualquer minoria. Ou porque somos brancos, pretos, amarelos ou vermelhos. Ou porque somos gays ou lésbicas. Ou porque somos estrangeiros. Ou porque somos góticos... as opções são tantas. O conjunto das outras minorias só nos parece ser a maioria quando nos refugiamos no conforto da nossa própria minoria e desprezamos as outras. Somos os nossos próprios tiranos quando nos excluímos do resto da sociedade, quer seja culturalmente ou de qualquer outro modo. Enfim... Ilusões criadas por nós próprios. Resta olhar no espelho e ver para lá dos nossos próprios preconceitos."

29 novembro 2006

O crime não compensa

Um destes dias recordei-me de uns pequenos delitos rodoviários dos quais fui culpado... ermmm... aliás, que um conhecido meu (assim fica melhor) foi considerado responsável há já algum tempo. Nada de grave claro, porque este meu conhecido é um cidadão responsável e não se mete em aventuras perigosas. Enfim, são aqueles pequenos crimes que se cometem por negligência e cujas consequências não matam mas moem. Pois é, estava embrenhado nestes pensamentos e lá decidi consultar o registo criminal do meu conhecido.
Curiosamente, e agora falando a sério, apesar da lei restringir o acesso ao referido registo a apenas algumas entidades (a saber: titular da informação, ascendente, tutor, procurador, mandatário ou representante legal) até nem é muito dificil aceder ao registo criminal de um completo estranho, quando se conhecem as pessoas certas claro, e mais não digo...
Entretando, na expectativa de saber o resultado da consulta ao registo, estava já eu, oopss quero dizer, o meu conhecido (uf!) prestes a escapar para a clandestinidade e a viver o resto dos seus dias como um pária da sociedade à margem da lei. Mas afinal nada disso foi necessário porque não constava absolutamente nada no registo criminal (o que também é peculiar porque deste modo é como se o delito nunca tivesse ocorrido) e o meu conhecido, embora aliviado, também ficou um pouco desapontado porque estas histórias (ou "estórias" se preferirem), quando um pouco enfabuladas, dão excelentes tópicos de conversa no café.

24 novembro 2006

Revoluções à parte... o que conta é a cerveja


Qual revolução dos cravos, qual quê! Nem revolução francesa ou revolução Russa chegam aos calcanhares das manifestações estudantis desta semana um pouco por toda a parte aqui no nosso cantinho à beira mar plantado. Reclamou-se o valor das propinas, a falta de condições dos estabelecimentos de ensino, a ausência de educação sexual, até a co-inceneração e um sem fim de outros queixumes. Mas a desorientação pueril não deixou de mostrar um arzinho da sua graça quando os manifestantes imberbes (e os orquestradores partidários) não souberam coordenar os motivos da contestação nem tão pouco os locais de concentração de estudantes. Em vez disso preferiram transformar a "manif" em festa rija. Não posso deixar de comentar o delicioso incidente que ocorreu quando um grupo de estudantes, impedido de consumir cerveja numa pastelaria próxima da manifesação, recorreu aos agentes da PSP destacados no local, que prontamente explicaram ao dono da pastelaria que deveria servir os estudantes sequiosos. Sob vigilância das forças da autoridade os estudantes (maiores de 16 anos) lá consumiram as suas "bejecas" enquanto lá fora seguia a manifestação.

14 novembro 2006

Sonhos

Os sonhos podem, subitamente, transformar-se em realidades terríveis. Principalmente quando esses sonhos não são os nossos. Curiosamente os sonhos podem ser experimentados a dois. É uma verdade que descobri recentemente e de forma muito dolorosa. Felizmente os sonhos terminam sempre. São efémeras fantasias que nos permitimos para escapar ao monótono compasso da realidade (pelo menos assim espero…). E não se admirem se estes devaneios parecerem demasiadamente herméticos para entender. É porque são mesmo! Mas para bom entendedor, meia palavra basta.

09 novembro 2006

Gordura é formosura

Diz a expressão popular que "gordura é formosura". A julgar pela nota de abertura no congresso de obesidade que decorre nestes dias no Porto, estamos a tornar-nos um dos países mais formosos da Comunidade Europeia. Davide Carvalho, professor que preside ao supracitado congresso, afirmou que a obesidade afecta mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, categorizando-se como epidemia global. A obesidade é uma doença percursora de outros males como a diabetes, acidentes cardio-vasculares e hipertensão entre outros. Curiosamente existem mais pessoas obesas do que pessoas vítimas de desnutrição.

24 outubro 2006

Natal

Sentei-me em frente ao computador, liguei-o e estalei os dedos preparandos-os (em vão) para dar corpo ao texto que fluia já na minha mente. O assunto, o calendário festivo que se aproxima a passos largos, o Natal. Sem me dar conta disso, era observado por um par de olhos ávidos atrás dos respectivos óculos. Num ápice perdi a posse do rato, seguiu-se o teclado e por fim, com um empurrão certeiro, fui despejado do meu lugar frente ao computador. Tornei-me eu o observador enquanto o amigo usurpador, como que possuído por alguma entidade demoníaca, debitava frases no écran a uma velocidade vertiginosa. Em poucos instantes surgiu o texto. O assunto era o mesmo mas a escolha das palavras não era, de todo, a imaginada inicialmente. E eis o resultado, que pelo dever que une os amigos leais (e o receio de represálias) passo a apresentar.

"Chega-nos mais um Natal. Enfeitam-se as montras, iluminam-se as ruas e chega a altura de gastar o que se tem e o que se não tem para poder dizer: eu ofereci um presente porque gosto de ti, (mas gosto mais de receber do que dar). Mas quem pensou nos presentes ao longo do ano? Quem os foi comprar na semana anterior ao Natal? Quem comprou um presente para poder exigir outro em troca? E quem entra numa loja e diz: quero algo até 5 euros, não interessa o quê, pode ser qualquer merda. E agarra numas luvas, as mais feias da loja e pergunta: pode ser isto? Claro que pode! Já estou farto de compras eu... É o suficiente para pensarmos no que levou a oferecerem-nos algo neste dia. E as chamadas telefónicas? Era neste dia que eu gostava de ser accionista da PT. Bem, liguei para três amigos, já só faltam 157. Depois quero ir comprar tabaco mas a merda da bomba de gasolina está fechada. Vou à Telepizza e lá estão os brasileiros católicos, que ao contrário dos monhés deviam estar em casa a celebrar o Natal. Sim, porque se há alguém que gosta de Deus são os brasileiros. Mas não... estão a trabalhar sempre com um sorriso na cara, ao contrário do português que leva os problemas para o trabalho. Peço uma piza porque estou fartos do perú que ainda nem foi para o forno e porque familia que se preze tem sempre discussões no dia de Natal. Vou para a mesa e como do bacalhau mais deslavado que havia pendurado no Continente. A batata é espanhola e é uma merda, sem esquecer o belo do bróculo. Enfim, comida de pobre para o dia em que já não há nem o ordenado nem o subsidio. Oh filho, fazes o teu bolo de Natal fazes? Hoje não me apetece. Porra! OK, merda, eu faço. Que bosta! Isto sou eu a reclamar porque não gosto que pensem que sou uma pessoa fácil, mas no fundo até tenho bom coração. Passa o jantar, são 23h30 e ninguém quer adiar a entrega dos presentes. Porque não abri-los já? Faltam só 13 minutos. Este é o da avó para mim... Oh vó, foste gastar dinheiro. Obrigado, gostei muito. Mãe, estas meias vão para a arrecadação. A tia precorreu dezenas de quilómetros para ir ao Campera porque lá a roupa é mais barata. E trouxe algo com defeito por ser mais barato ainda. Onde mete aquela cabra o dinheiro que ganha? Ah desculpa, ela não trabalha, é tia... A mãe comprou-me um televisor. Disse ao pai que no Jumbo foi barato , a sorte é que o pai não vai às compras senão descobria que tinha sido o triplo do preço. Quanto ao meu irmão leva sempre com a mesma frase: este ano não te comprei nada porque o primeiro ordenado que recebi na vida foi para te comprar um mega presente de Natal, ainda mo estás a dever. Vou para cama e penso, bem, amanhã vem o perú, tenho de gramar com a minha outra avó, vai chorar, tenho que me fingir sensível. Acordo de manhã e visto algo encarnado, senão não seria Natal. As meias novas para mostrar à avó que gostei (yack) e o perfume que recebi. Escondo-me na casa de banho para admirar o presente que me deu o namorado. Ninguém pode saber! Se perguntarem foi a Susana, é sempre a Susana, a minha amiga imaginária. Vou comer, já não posso ver frutos secos, é figo com noz, é noz com figo, é amêndoa, pinhão e cajú. Que porra! E volto ao ponto de partida, não há tabaco, foda-se. Mãeeee (grito) tenho que ir meter gasóleo. E passa mais um dia de Natal. Agora é acabar o perú antes do dia 1 de Janeiro. Tarefa impossivel numa familia que gosta da mesa cheia para ver."

08 outubro 2006

Última flor do Lácio, inculta e bela

Acerca da língua Portuguesa:

Nunca foi tão verdadeiro o lamento do poeta brasileiro, Olavo Bilac, no soneto A língua portuguesa, ao escrever: “Última flor do Lácio, inculta e bela” em que a flor é uma metáfora para a nossa língua, inculta sempre que escrevemos ou falamos incorrectamente mas sempre bela.
Não bastava já a influência das telenovelas brasileiras (que por bem ou por mal têm vindo a ser substituídas pelas congéneres “made in Portugal”) a minarem a ortografia do português de Portugal, juntaram-se mais recentemente as mensagens por “sms” e as salas de conversação na Internet cujo inaudito efeito minimalista transforma a leitura em complexo acto de decifração.
Admito que nem todos temos que ser candidatos ao Prémio Nobel da Literatura e sim, as línguas evoluem e modificam-se. No entanto e sem querer parecer um Velho do Restelo apegado a valores ultra tradicionais, não posso deixar de exprimir a minha apreensão a respeito desta torre de Babel dos tempos modernos que, a ritmo célere, distorce a minha língua, a língua de Camões e de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

25 setembro 2006

Internet a quanto obrigas

É curioso analisar como facilmente nos obrigamos a aceitar certos luxos como necessidades absolutas. É o caso dos telemóveis e da internet que há ainda pouco mais de uma década entraram no nosso quotidiano mas já nos fazem desesperar ou ter verdadeiros ataques de histeria se por umas horas deixamos de ter acesso ao que se tornou num vício global. Foi uma situação no mínimo aborrecida que me fez pensar no quão dependentes nos tornámos das chamadas novas tecnologias. Decorria o mês de Agosto quando solicitei à TV Cabo a instalação do serviço de internet na minha nova morada (agora vivo no Restelo que, de acordo com alguém que durante algum (felizmente breve) tempo teve a honra de se poder intitular meu amigo, é muito "fashion"). Após o preenchimento "online" de um formulário de adesão, fui contactado telefonicamente com a cordialidade habitual dos operadores que nos atendem. Informaram-me que a instalação deste serviço estava condicionado pelo desligamento de serviço idêntico, contratado pelo anterior inquilino junto da TV Cabo. Esta entidade não celebra dois contratos diferentes para a mesma morada ainda que as partes contratantes não tenham nada a ver uma com a outra. Até aqui tudo bem, ainda que o atraso na instalação se devesse a uma complicação burocrática do funcionamento interno da TV Cabo. Decidi aceitar a explicação que me foi facultada enquanto me garantiam que o desligamento do serviço do anterior inquilino e a activação do meu serviço de internet seriam simultâneos e ficariam já agendados para o próximo dia 1 de Setembro. Mas como não há bela sem senão, no dia combinado para a visita do técnico da TV Cabo não apareceu ninguém. Aguardei cerca de 2 semanas até que ultrapassei o limite máximo que me permitiu a minha paciência e no dia 13 de Agosto voltei a telefonar, desta vez para o número de apoio ao cliente. Novamente fui saudado com a simpatia habitual o que por si só é agradável embora a informação que me foi prestada em nada tenha sido agradável. Aparentemente, e sem qualquer justificação, a informação que o operador obteve no seu terminal foi que o serviço do anterior inquilino continuava a aguardar desligamento mas sem nova data marcada para tal. Sem qualquer outra alternativa esperei, até que dia 19 de Setembro a TV Cabo se decidiu a enviar um técnico a minha casa. Mas desengane-se quem pensar que tudo se resolveu nesta altura porque o técnico tinha instruções para desligar o serviço anterior mas não para efectuar nova ligação. Voltei a ligar para a linha de apoio ao cliente da TV Cabo que por sua vez me transferiu para uma "linha de apoio especializada" como me foi dito mas afinal tratava-se apenas da linha de informações comerciais. Como ainda assim ninguém me conseguia explicar quando é que eu viria a ter internet na minha morada, voltaram a transferir-me para uma terceira linha, que por desespero já nem perguntei qual era. Após muita insistência da minha parte consegui desvendar alguns dos motivos de tanta confusão. Parece que o problema teve origem no modo como eu inicialmente solicitei este serviço. É que eu, inocentemente e sem nunca prever tamanha complicação, aderi ao serviço de internet através de uma promoção conjunta da TV Cabo e da TMN (que por sinal era desconhecida dos operadores que me atenderam à data dos meus contactos) que permitia a troca de pontos da TMN peo este serviço de internet. No entanto, a falta de agilidade nos serviços da TV Cabo aliada à má comunicação entre as duas empresas parceiras resultou no fraco serviço que enquanto escrevo ainda não me foi facultado (e entretanto recorro a amigos e conhecidos para poder saciar esta a necessidade de que falava no início). Curiosamente, ao fim de 3 transferências telefónicas fico a saber que nunca chegou nenhum pedido de nova adesão ao respectivo gabinete da TV Cabo e, à boa maneira Portuguesa, o operador que me atendia rapidamente sacudiu a água do capote afirmando que a responsabilidade deveria ser da TMN e que por parte da TV Cabo apenas poderiam registar um novo pedido de adesão repetindo todo o processo desde o início. Entretando eu, consumidor, que apenas quero usufruir de um serviço para o qual estou disposto a pagar, perco o meu precioso tempo (e os pontos da TMN que já me tinham sido retirados). Furioso e prestes a escrever uma carta de reclamação recebo, passados mais uns dias, novo telefonema a marcar a visita do técnico.
Esta é uma situação reveladora da grande falta de competência das entidades envolvidas mas também é um indicador da fraca produtividade das empresas em Portugal. Se para um serviço que tecnicamente pode ser facultado em menos de 24 horas, o consumidor tem que (des)esperar um mês então entende-se porque é que o nosso país se encontra entre os menos produtivos da Europa.
Agora aguardo pelo dia 26 de Setembro (amanhã), altura em que ficou agendada a visita do técnico, para saber se esta história encontra um desfecho ou se ainda adicionarei algumas linhas a este assunto...

17 agosto 2006

Destroce, destroce... Pum! Já bateu, pode parar!

Surgiram em Lisboa e rapidamente se multiplicaram pelo resto do país. Na sua maioria são toxicodependentes e parasitam os bolsos do cidadão comum. Geralmente sujos e de mau aspecto, são facilmente reconhecíveis pelo jornal enrolado que agitam no ar em movimentos circulares. Refiro-me, como já se deve ter tornado claro ao leitor, aos irritantes arrumadores de carros que flagelam as cidades Portuguesas.
Na cidade do Porto tentou-se eliminar o problema ao abrigo do programa "Porto Feliz" que visava identificar os arrumadores, dar-lhes tratamento médico e finalmente empregá-los em profissões mais dignas. Contudo, a julgar pelo actual número de arrumadores nesta cidade e mesmo com os cassetetes da PSP à mistura, o programa não foi eficaz.
Em Portimão, terra mais ensolarada e tolerante, tentou-se uma táctica mais branda. Regulamentou-se o exercício da actividade de arrumador de automóveis tornando legal a "profissão" de arrumador, com licença e seguro de responsabilidade civil. Curiosamente a regulamentação não obrigava o arrumador profissional a passar factura nem a declarar os rendimentos ao fisco e o pior de tudo é que continuava a ser o cidadão a desembolsar a moedinha. Pelo que parece também no reino dos Algarves a solução ainda não se afigurou.
Não bastavam já os parquímetros, ainda é preciso pagar a um arrumador que na realidade em nada auxilia no acto de arrumar o carro. Ainda por cima, o condutor que não contribua para pagar o vício diário do arrumador arrisca-se a ter o carro vandalizado e o auto-rádio roubado.
Enfim... os arrumadores podem ser desagradáveis mas são pessoas e merecem ser tratadas como tal. É pena que não se cure este cancro que se revela na forma do arrumador de carros mas cujas verdadeiras raízes são mais profundas e urgem por solução. E convém também não esquecer que cada moedinha angariada reverte invariavelmente para o traficante que assim enriquece à custa do condutor resignado.

11 julho 2006

Pobrezinhos dos jogadores

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) emitiu um comunicado no qual afirma que o prémio de presença no Mundial da Alemanha, cerca de 50 mil euros por jogador, deve permanecer isento de IRS. O pedido não é novo e já foi apresentado 4 vezes desde o Mundial Correia/Japão. Ao que parece, tal pretensão é sustentada por pareceres legais, visto que o código do IRS admite isenção de impostos por parte de prémios obtidos com “resultados relevantes” em “competições de elevado prestígio”.
Gostaria pois de apresentar a minha solidariedade para com os pobres jogadores da Selecção. E no espírito da solidariedade, porque não iniciar já uma petição a nível nacional para angariar fundos de sobrevivência para os jogadores. A mim custa-me ver as pessoas que nos representaram no Mundial a terem que se sustentar com os seus parcos rendimentos. Sim, um fundo de sobrevivência, pois claro! É que os estágios com estadias em hotéis de 5 estrelas não duram todo o ano e os pobrezinhos já se habituaram a certos luxos. Não bastava já o trabalhador honesto descontar balúrdios e o Estado garganeiro ainda quer comer uma fatia dos rendimentos dos jogadores. Está mal! Então não é óbvio que está mal? Afinal de contas os jogadores são heróis nacionais e por esse motivo estão acima do comum mortal que tem que trabalhar para sobreviver.
Ironias à parte, custa-me viver numa Democracia na qual todos somos iguais aos olhos da Lei, mas onde sou obrigado a admitir que alguns querem e podem ser mais iguais do que os outros.

10 julho 2006

Amor de plástico

Vivemos num mundo cada vez mais plástico. Senão vejamos, modificámos os nossos hábitos alimentares e comemos cada vez mais os chamados alimentos de plástico que fazem as delícias de miúdos e graúdos. Cultivamos corpos cada vez mais artificiais com cirurgias plásticas do tipo "estica aqui, encolhe ali" para depois ficarmos com um aspecto fresco e jovial mesmo se estivermos no mais triste velório. Incentivam-se técnicas mais produtivas de trabalho, em cubículos de escritório ou em nossa própria casa sem nunca conhecermos os nossos colegas. Vivemos vidas cinzentas, em cidades ainda mais cinzentas e passamos um ano inteiro à espera daquele mês de férias para recarregar baterias, apenas para que consigamos aguentar mais outro ano.
Como se não bastassem todas estas maleitas da sociedade moderna, vi-me perante uma situação que me alertou para o facto de já nem as relações pessoais estarem a salvo do golem que nós próprios criámos. Após algum tempo sem falar com um amigo de longa data, reencontro-o apaixonadíssimo. Naturalmente fiquei contente pelo meu amigo e quis saber mais acerca da pessoa que lhe tinha trazido tanta felicidade. Falou-me da idade, profissão e interesses da sua cara-metade. Enfim, aqueles detalhes da pessoa amada que com orgulho se partilham com os amigos. Comecei logo a simpatizar com aquela pessoa que me estava a ser descrita e quis conhecê-la. O meu amigo prontificou-se a apresentar-me ao amor da sua vida e foi neste ponto que fui chocado pela surpresa da revelação: o meu amigo namorava, há já vários meses, com alguém que apenas conhecia da internet. É um namoro baseado na troca de fotografias e carícias "digitais".
Já estava pronto para fazer ver ao meu amigo que um namoro assim não tem futuro, quando me apercebo de algo ainda mais chocante. Algo que para mim é tão natural que abalou todas as minhas convicções acerca desta estranha relação. É que embora eu não tenha qualquer motivo para duvidar da amizade que nos une, eu próprio também nunca conheci pessoalmente o meu amigo. A nossa amizade é tão fruto da internet como o amor que eu estava prestes a criticar.

07 julho 2006

Rei morto, rei posto

Se pensava que a morte é o merecido descanso do herói então pense outra vez. Parece que alguém com muitas ideias no Instituto Português do Património Arquitectónico, que é como quem diz um idiota, em cooperação com um grupo internacional de especialistas, liderado por uma antropóloga da Universidade de Coimbra, se lembrou de exumar o cadáver de, nem mais nem menos que o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, falecido há mais de oito séculos. Valeu a incompetência do suprareferido idiota ao não cumprir os requisitos necessários à abertura do túmulo. Refira-se que os abutres, ávidos por esquartejar o cadáver poeirento, felizmente se deram conta de que não havia sido formulado o necessário pedido de autorização à ministra da Cultura, frustrando todo o processo.
Eu entenderia a exumação do cadáver de algum “serial killer” se daí se esperasse obter a resolução do crime ou até de algum indivíduo cuja genealogia se tivesse perdido com a sua morte. Mas exumar o cadáver de D. Afonso Henriques? Com que propósito? A explicação oficial refere a pretensão de reconstituir o perfil biológico do rei. Pergunto-me se saber que D. Afonso Henriques terá sido realmente alto e robusto, como referem os relatos históricos, irá alterar de algum modo o mérito d’O Conquistador. Entretanto gasta-se dinheiro à toa em pesquisas que não levam a lado nenhum.

06 julho 2006

Parabéns Dolly!

Foi a famosa Dolly Parton, cantora Norte Americana, mundialmente conhecida pelos seus exuberantes peitos, que deu o nome à não menos famosa ovelha escocesa, clonada em 1996 a partir do núcleo de uma célula mamária de outra ovelha adulta. Coincidência ou não, fica ao critério de cada um.
Não fosse a sua morte prematura, faria a Dolly ovina 10 anos de vida mas quis o destino cruel que o bicho sofresse de cancro pulmonar. A fotogénica e lanzuda ovelha já tinha sido fotografada milhares de vezes e sido responsável por rios de tinta na imprensa internacional. Alcançados os objectivos científicos e financeiros, os criadores de Dolly decidiram em 2003 acabar-lhe com o sofrimento. Afinal de contas os parcos anos da existência de Dolly já tinham garantido o interesse dos investidores numa técnica de clonagem que se veio a revelar inútil.
Muito se falou sobre reprodução humana assistida, alguns especularam acerca da clonagem de super soldados e outros mais extremistas previram até o fim da sociedade como a conhecemos. Acontece que a clonagem de mamíferos é na generalidade pouco fecunda e por esse motivo muito dispendiosa e sem grande utilidade prática. Desengane-se quem temeu a chegada de um Admirável Mundo Novo porque, pelo menos na primeira década pós Dolly, continua tudo na mesma.

Que futuro?

O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, anunciou ontem, com pompa e circustância num hotel do Porto, a apresentação breve de (mais uma) proposta de reforma do sistema da Segurança Social afirmando e passo a citar: “Os portugueses verão que o PSD apresentará uma boa solução de reforma do sistema social”.
Enquanto leigo nestas matérias políticas pergunto-me se os sucessivos governos, tão prolíficos em reformas da Segurança Social, não quiseram ou não puderam até agora assegurar a sobrevivência do Estado Social.
Mas as convicções de Miguel Macedo não se ficam por aqui. A proposta de reforma vai, segundo o próprio, assegurar o futuro de quem está agora a entrar na carreira contributiva. Será que o PSD redescobriu a pólvora? Será que só agora é que a classe política se apercebeu que havia um problema na Segurança Social? Será que temos sido uns ignorantes e a solução estava, na realidade, à vista de todos? Ou será a actual situação de insolvência da Segurança Social, uma bandeira que se agita no ar quando é necessário chamar a atenção para o trabalho feito?
São estas afirmações à boca cheia que a mim me fazem duvidar. Se todos estamos cientes dos problemas económicos e sociais que estão na origem das dificuldades em manter uma Segurança Social viável, não será prematuro e até mesmo irresponsável prometer uma reforma que irá a longo prazo “salvar o Estado Social”?
No que me diz respeito sou como São Tomé e reservo-me o direito de ver para crer. Chamem-me céptico ou até mesmo pessimista mas estou farto de montanhas a parirem ratos e espero que, chegada a altura de depositar o papelinho na urna de voto, os Portugueses se lembrem das promessas feitas...

05 julho 2006

Made in USA

Sem comentários:

No Michigan é ilegal consumir cerveja ao domingo antes do meio-dia.

No Alabama é proibido cuspir no passeio após as 16h00.

No Texas é contrário à lei ter relações sexuais com um peixe. Na Florida é ilegal embriagar um peixe. Na Carolina do Norte os legisladores gostaram tanto das duas leis que criaram uma terceira que proíbe as relações sexuais com peixes embriagados.

No Alaska é ilegal dar bebidas alcoólicas a um alce e os alces embriagados estão proibidos de circular nos passeios.

Na ilha de Jersey é ilegal tricotar durante a época de pesca.

No Alabama, depois de um jovem de 13 anos ter sido mortalmente ferido com um pente, tornou-se ilegal transportar este objecto no bolso.

No Michigan é ilegal prender um crocodilo a uma bomba de incêndio.

Na Califórnia é proibido descascar uma cebola num quarto de hotel e no Indiana é ilegal deslocar-se de transportes públicos até 30 minutos depois de ingerir alho.

No Michigan é ilegal uma mulher cortar o cabelo sem a autorização do esposo e em Vermont as mulheres não podem usar dentes postiços sem a permissão escrita dos respectivos cônjuges.

Na Pennsylvania é contrário à lei cantar no duche.

No Arkansas é proibido servir gasolina como bebida em festas.

No Iowa é ilegal atravessar as fronteiras do estado com um pato na cabeça.

No Ohio, é ilegal comercializar “corn flakes” ao domingo.

Depois de, em 1916 no Utah, um homem ter enviado por correio 40 mil tijolos da sua casa para a reconstruir noutro local, tornou-se ilegal enviar edifícios por correio.

No estado de Nova York o sexo anal consentido é proibido, a não ser que seja com o cônjuge.

No Kentucky é ilegal contrair matrimónio com a avó da esposa.

Futebol, calhaus e dinossauros

Com o motor do carro a ronronar naquele frenezim habitual aos ouvidos mais citadinos, descia eu de janela aberta uma das poucas avenidas largas da histórica cidade de Évora. O calor de Verão fazia-se sentir num final de tarde ensolarada do início de Julho e os semáforos desesperantes durante a hora de ponta, só se tornavam toleráveis devido à distração oferecida pelo hipnótico palrar da rádio. Alguém comentava nas ondas hertzianas acerca da anestesia colectiva que a febre do futebol tinha trazido às mentes Portuguesas e que tal indiferença pelos assuntos extra-futebolísticos não seria beliscada nem pela criação de um hipotético e aberrante imposto de mergulho e exposição ao sol a ser aplicado a veraneantes e banhistas de férias.
Apesar do tópico já estar batido e de eu não ter uma boa relação com lugares comuns, não consigo evitar atirar mais uma pedra a esta nação dormente e soltar um grito de alerta ao facto de estarmos a ser levados na inexorável corrente que nos transporta para o abismo da apatia.
Por falar em pedras e para os mais distraídos que não se tenham deparado com as parcas linhas reservadas nos media para este assunto, fica aqui a informação acerca do asteróide de 800 metros de diâmetro que roçou recentemente a Terra a uma velocidade de cerca de 61 mil quilómetros por hora. Sim, é verdade... fomos visitados por um objecto espacial, potencialmente cataclísmico e ninguém deu por nada. Parece que o calhau gigante passou a 430 mil quilómetros de distância do nosso planeta e por pouco não embateu na Lua. Mas não se preocupem porque o pior não aconteceu, o mundial de futebol não será interrompido e Portugal ainda pode ser campeão. Pois é, não resisti e voltei a bater no ceguinho, mas prometo que foi a última vez.
Ainda assim aqui fica o aviso, a continuarmos neste rumo de indiferença ainda nos sucede o mesmo que aos dinossauros. E caso não sejamos afligidos pela extinção da espécie então, a avaliar pelo reduzido uso que temos feito das nossas massas cinzentas, o bicho Homem evoluirá certamente para algum tipo de ser vivo acéfalo, parasitado por um punhado de políticos sem escrúpulos, governantes de uma sociedade que deixou de saber pensar por si.

Intro

É um fenómeno curioso este da proliferação dos "blogs". Mas como dizia um antigo personagem do Herman José: "As opiniões são como as vaginas e quem as tem pode dá-las". Assim sendo e se todos temos o direito à opinião, confesso-me rendido a este novo meio de veiculação da discussão, mas não sem antes dissecar a etimologia desta palavra alienígena à língua Portuguesa.
"Blog" deriva da expressão inglesa "weblog" que pretende significar um registo ou entrada num jornal ou diário apresentado sob a forma de um sítio na rede global. Agora que estão feitos os esclarecimentos iniciais desejo-me a mim próprio muitos e bons "logs" na "web". E para quem os queira ler, o meu bem haja.