Vivemos num mundo cada vez mais plástico. Senão vejamos, modificámos os nossos hábitos alimentares e comemos cada vez mais os chamados alimentos de plástico que fazem as delícias de miúdos e graúdos. Cultivamos corpos cada vez mais artificiais com cirurgias plásticas do tipo "estica aqui, encolhe ali" para depois ficarmos com um aspecto fresco e jovial mesmo se estivermos no mais triste velório. Incentivam-se técnicas mais produtivas de trabalho, em cubículos de escritório ou em nossa própria casa sem nunca conhecermos os nossos colegas. Vivemos vidas cinzentas, em cidades ainda mais cinzentas e passamos um ano inteiro à espera daquele mês de férias para recarregar baterias, apenas para que consigamos aguentar mais outro ano.
Como se não bastassem todas estas maleitas da sociedade moderna, vi-me perante uma situação que me alertou para o facto de já nem as relações pessoais estarem a salvo do golem que nós próprios criámos. Após algum tempo sem falar com um amigo de longa data, reencontro-o apaixonadíssimo. Naturalmente fiquei contente pelo meu amigo e quis saber mais acerca da pessoa que lhe tinha trazido tanta felicidade. Falou-me da idade, profissão e interesses da sua cara-metade. Enfim, aqueles detalhes da pessoa amada que com orgulho se partilham com os amigos. Comecei logo a simpatizar com aquela pessoa que me estava a ser descrita e quis conhecê-la. O meu amigo prontificou-se a apresentar-me ao amor da sua vida e foi neste ponto que fui chocado pela surpresa da revelação: o meu amigo namorava, há já vários meses, com alguém que apenas conhecia da internet. É um namoro baseado na troca de fotografias e carícias "digitais".
Já estava pronto para fazer ver ao meu amigo que um namoro assim não tem futuro, quando me apercebo de algo ainda mais chocante. Algo que para mim é tão natural que abalou todas as minhas convicções acerca desta estranha relação. É que embora eu não tenha qualquer motivo para duvidar da amizade que nos une, eu próprio também nunca conheci pessoalmente o meu amigo. A nossa amizade é tão fruto da internet como o amor que eu estava prestes a criticar.
Como se não bastassem todas estas maleitas da sociedade moderna, vi-me perante uma situação que me alertou para o facto de já nem as relações pessoais estarem a salvo do golem que nós próprios criámos. Após algum tempo sem falar com um amigo de longa data, reencontro-o apaixonadíssimo. Naturalmente fiquei contente pelo meu amigo e quis saber mais acerca da pessoa que lhe tinha trazido tanta felicidade. Falou-me da idade, profissão e interesses da sua cara-metade. Enfim, aqueles detalhes da pessoa amada que com orgulho se partilham com os amigos. Comecei logo a simpatizar com aquela pessoa que me estava a ser descrita e quis conhecê-la. O meu amigo prontificou-se a apresentar-me ao amor da sua vida e foi neste ponto que fui chocado pela surpresa da revelação: o meu amigo namorava, há já vários meses, com alguém que apenas conhecia da internet. É um namoro baseado na troca de fotografias e carícias "digitais".
Já estava pronto para fazer ver ao meu amigo que um namoro assim não tem futuro, quando me apercebo de algo ainda mais chocante. Algo que para mim é tão natural que abalou todas as minhas convicções acerca desta estranha relação. É que embora eu não tenha qualquer motivo para duvidar da amizade que nos une, eu próprio também nunca conheci pessoalmente o meu amigo. A nossa amizade é tão fruto da internet como o amor que eu estava prestes a criticar.
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