06 julho 2006

Que futuro?

O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, anunciou ontem, com pompa e circustância num hotel do Porto, a apresentação breve de (mais uma) proposta de reforma do sistema da Segurança Social afirmando e passo a citar: “Os portugueses verão que o PSD apresentará uma boa solução de reforma do sistema social”.
Enquanto leigo nestas matérias políticas pergunto-me se os sucessivos governos, tão prolíficos em reformas da Segurança Social, não quiseram ou não puderam até agora assegurar a sobrevivência do Estado Social.
Mas as convicções de Miguel Macedo não se ficam por aqui. A proposta de reforma vai, segundo o próprio, assegurar o futuro de quem está agora a entrar na carreira contributiva. Será que o PSD redescobriu a pólvora? Será que só agora é que a classe política se apercebeu que havia um problema na Segurança Social? Será que temos sido uns ignorantes e a solução estava, na realidade, à vista de todos? Ou será a actual situação de insolvência da Segurança Social, uma bandeira que se agita no ar quando é necessário chamar a atenção para o trabalho feito?
São estas afirmações à boca cheia que a mim me fazem duvidar. Se todos estamos cientes dos problemas económicos e sociais que estão na origem das dificuldades em manter uma Segurança Social viável, não será prematuro e até mesmo irresponsável prometer uma reforma que irá a longo prazo “salvar o Estado Social”?
No que me diz respeito sou como São Tomé e reservo-me o direito de ver para crer. Chamem-me céptico ou até mesmo pessimista mas estou farto de montanhas a parirem ratos e espero que, chegada a altura de depositar o papelinho na urna de voto, os Portugueses se lembrem das promessas feitas...

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