05 julho 2006

Futebol, calhaus e dinossauros

Com o motor do carro a ronronar naquele frenezim habitual aos ouvidos mais citadinos, descia eu de janela aberta uma das poucas avenidas largas da histórica cidade de Évora. O calor de Verão fazia-se sentir num final de tarde ensolarada do início de Julho e os semáforos desesperantes durante a hora de ponta, só se tornavam toleráveis devido à distração oferecida pelo hipnótico palrar da rádio. Alguém comentava nas ondas hertzianas acerca da anestesia colectiva que a febre do futebol tinha trazido às mentes Portuguesas e que tal indiferença pelos assuntos extra-futebolísticos não seria beliscada nem pela criação de um hipotético e aberrante imposto de mergulho e exposição ao sol a ser aplicado a veraneantes e banhistas de férias.
Apesar do tópico já estar batido e de eu não ter uma boa relação com lugares comuns, não consigo evitar atirar mais uma pedra a esta nação dormente e soltar um grito de alerta ao facto de estarmos a ser levados na inexorável corrente que nos transporta para o abismo da apatia.
Por falar em pedras e para os mais distraídos que não se tenham deparado com as parcas linhas reservadas nos media para este assunto, fica aqui a informação acerca do asteróide de 800 metros de diâmetro que roçou recentemente a Terra a uma velocidade de cerca de 61 mil quilómetros por hora. Sim, é verdade... fomos visitados por um objecto espacial, potencialmente cataclísmico e ninguém deu por nada. Parece que o calhau gigante passou a 430 mil quilómetros de distância do nosso planeta e por pouco não embateu na Lua. Mas não se preocupem porque o pior não aconteceu, o mundial de futebol não será interrompido e Portugal ainda pode ser campeão. Pois é, não resisti e voltei a bater no ceguinho, mas prometo que foi a última vez.
Ainda assim aqui fica o aviso, a continuarmos neste rumo de indiferença ainda nos sucede o mesmo que aos dinossauros. E caso não sejamos afligidos pela extinção da espécie então, a avaliar pelo reduzido uso que temos feito das nossas massas cinzentas, o bicho Homem evoluirá certamente para algum tipo de ser vivo acéfalo, parasitado por um punhado de políticos sem escrúpulos, governantes de uma sociedade que deixou de saber pensar por si.

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