16 julho 2009

Homo columbia

Ocorreu-me que existe nas nossas cidades, nomeadamente em Lisboa, uma espécie simbiótica em perigo de extinção. Ao observador casual podem parecer dois organismos totalmente independentes mas aí é que está o erro. Uma depende da outra de tal forma que, de acordo com as leis darwinianas da selecção natural, se ocorrer alguma catástrofe que elimine uma, a outra certamente se extingue e por esse motivo estão irremediavelmente unidas numa espécie que, pelo direito que confere ao descobridor, chamei Homo columbia. Esse organismo simbiótico é formado, por um lado, pelos pombos que cagam indiscriminadamente cabeças humanas e monumentos públicos e, por outro lado, pelos velhos e velhas das nossas cidades que os alimentam diariamente apesar das proibições. Mas se não está a ver a ligação, então passo a explicar. Sem os velhos e velhas que teimam em alimentar essas ratazanas voadoras, as criaturas jamais se reproduziriam ao ritmo das pragas mais nefastas. Por outro lado, sem a bicheza penugenta, os velhos e velhas perderiam o obectivo que os faz levantar da cama todos os dias e ficavam em casa a definhar.

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