25 setembro 2006

Internet a quanto obrigas

É curioso analisar como facilmente nos obrigamos a aceitar certos luxos como necessidades absolutas. É o caso dos telemóveis e da internet que há ainda pouco mais de uma década entraram no nosso quotidiano mas já nos fazem desesperar ou ter verdadeiros ataques de histeria se por umas horas deixamos de ter acesso ao que se tornou num vício global. Foi uma situação no mínimo aborrecida que me fez pensar no quão dependentes nos tornámos das chamadas novas tecnologias. Decorria o mês de Agosto quando solicitei à TV Cabo a instalação do serviço de internet na minha nova morada (agora vivo no Restelo que, de acordo com alguém que durante algum (felizmente breve) tempo teve a honra de se poder intitular meu amigo, é muito "fashion"). Após o preenchimento "online" de um formulário de adesão, fui contactado telefonicamente com a cordialidade habitual dos operadores que nos atendem. Informaram-me que a instalação deste serviço estava condicionado pelo desligamento de serviço idêntico, contratado pelo anterior inquilino junto da TV Cabo. Esta entidade não celebra dois contratos diferentes para a mesma morada ainda que as partes contratantes não tenham nada a ver uma com a outra. Até aqui tudo bem, ainda que o atraso na instalação se devesse a uma complicação burocrática do funcionamento interno da TV Cabo. Decidi aceitar a explicação que me foi facultada enquanto me garantiam que o desligamento do serviço do anterior inquilino e a activação do meu serviço de internet seriam simultâneos e ficariam já agendados para o próximo dia 1 de Setembro. Mas como não há bela sem senão, no dia combinado para a visita do técnico da TV Cabo não apareceu ninguém. Aguardei cerca de 2 semanas até que ultrapassei o limite máximo que me permitiu a minha paciência e no dia 13 de Agosto voltei a telefonar, desta vez para o número de apoio ao cliente. Novamente fui saudado com a simpatia habitual o que por si só é agradável embora a informação que me foi prestada em nada tenha sido agradável. Aparentemente, e sem qualquer justificação, a informação que o operador obteve no seu terminal foi que o serviço do anterior inquilino continuava a aguardar desligamento mas sem nova data marcada para tal. Sem qualquer outra alternativa esperei, até que dia 19 de Setembro a TV Cabo se decidiu a enviar um técnico a minha casa. Mas desengane-se quem pensar que tudo se resolveu nesta altura porque o técnico tinha instruções para desligar o serviço anterior mas não para efectuar nova ligação. Voltei a ligar para a linha de apoio ao cliente da TV Cabo que por sua vez me transferiu para uma "linha de apoio especializada" como me foi dito mas afinal tratava-se apenas da linha de informações comerciais. Como ainda assim ninguém me conseguia explicar quando é que eu viria a ter internet na minha morada, voltaram a transferir-me para uma terceira linha, que por desespero já nem perguntei qual era. Após muita insistência da minha parte consegui desvendar alguns dos motivos de tanta confusão. Parece que o problema teve origem no modo como eu inicialmente solicitei este serviço. É que eu, inocentemente e sem nunca prever tamanha complicação, aderi ao serviço de internet através de uma promoção conjunta da TV Cabo e da TMN (que por sinal era desconhecida dos operadores que me atenderam à data dos meus contactos) que permitia a troca de pontos da TMN peo este serviço de internet. No entanto, a falta de agilidade nos serviços da TV Cabo aliada à má comunicação entre as duas empresas parceiras resultou no fraco serviço que enquanto escrevo ainda não me foi facultado (e entretanto recorro a amigos e conhecidos para poder saciar esta a necessidade de que falava no início). Curiosamente, ao fim de 3 transferências telefónicas fico a saber que nunca chegou nenhum pedido de nova adesão ao respectivo gabinete da TV Cabo e, à boa maneira Portuguesa, o operador que me atendia rapidamente sacudiu a água do capote afirmando que a responsabilidade deveria ser da TMN e que por parte da TV Cabo apenas poderiam registar um novo pedido de adesão repetindo todo o processo desde o início. Entretando eu, consumidor, que apenas quero usufruir de um serviço para o qual estou disposto a pagar, perco o meu precioso tempo (e os pontos da TMN que já me tinham sido retirados). Furioso e prestes a escrever uma carta de reclamação recebo, passados mais uns dias, novo telefonema a marcar a visita do técnico.
Esta é uma situação reveladora da grande falta de competência das entidades envolvidas mas também é um indicador da fraca produtividade das empresas em Portugal. Se para um serviço que tecnicamente pode ser facultado em menos de 24 horas, o consumidor tem que (des)esperar um mês então entende-se porque é que o nosso país se encontra entre os menos produtivos da Europa.
Agora aguardo pelo dia 26 de Setembro (amanhã), altura em que ficou agendada a visita do técnico, para saber se esta história encontra um desfecho ou se ainda adicionarei algumas linhas a este assunto...

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